Faltam poucos segundos para começar e já se prevê exatamente como vai começar. “The Best of Both Worlds”. E não falha. Entra direto, sem rodeios, como quem sabe que não precisa de apresentações, até porque ninguém está ali por acaso.
Este especial surge muito por vontade da própria Miley, que foi alimentando a ideia ao longo do último ano com o “Hannahversary”. Mais do que um simples projeto, sente-se que é algo que ela quis mesmo fazer: revisitar esta fase e partilhá-la com quem cresceu com ela.
Realizado por Sam Wrench, o especial assume-se mais como uma conversa de podcast do que como um documentário tradicional. Miley Cyrus senta-se com Alex Cooper e revisita momentos, histórias e bastidores da série, intercalados com imagens de arquivo, recriações de cenários e atuações. Há espaço para tudo: rumores antigos, relações, referências à Taylor Swift e momentos mais pessoais, como revisitar o closet original com a mãe, Tish Cyrus, que foi quem geriu a sua carreira desde o início.
E depois há a Miley de hoje. Diferente, mais madura, mais marcada… mas quando canta, percebe-se que a ligação à Hannah nunca desapareceu. E isso sente-se. Porque no fundo, a Hannah Montana e a Miley Cyrus sempre foram a mesma pessoa. Uma diva que cresceu, mas que nunca largou completamente aquilo que a definiu.
O especial funciona melhor nesses momentos. Voltar ao set da casa, rever o guarda-roupa, ouvir “This Is The Life” ou “The Climb” cria uma ligação imediata com quem cresceu com a série. Não é só ver, é lembrar. Há até espaço para uma música original criada para este especial, que reforça essa ideia de celebração e continuidade.
Mas tudo passa demasiado rápido. Em menos de uma hora, tenta-se tocar em tudo: a origem, o impacto, a carreira, as relações, convidados como Selena Gomez ou o próprio Billy Ray Cyrus, mesmo com os rumores do seu afastamento. Está lá tudo, mas sem tempo para aprofundar quase nada. E talvez o maior problema seja esse: sabe a pouco. Até porque, olhando bem, 20 anos (e apenas 15 desde o fim da série) ainda é relativamente recente e a própria Miley ainda está numa fase em que vive tudo isto mais com leveza e diversão do que com verdadeira nostalgia.
Também a ausência de grande parte do elenco original pesa. Hannah Montana (2006-2011) nunca foi só a Miley, e sente-se que faltam peças importantes para que esta celebração fosse realmente completa. Ainda assim, o impacto mantém-se. Hannah Montana foi parte da rotina de mais de meio mundo. E este especial acaba por servir também como porta de entrada para novas gerações que, através do streaming, vão querer perceber o que foi este fenómeno.
No fundo, Hannah Montana: 20th Anniversary Special é uma celebração que acerta na emoção, mas falha no tempo que lhe dá. Tem momentos muito bons, músicas que continuam a resultar e uma Miley que prova que nasceu para este papel. Sabe a pouco, mas chega para nos lembrar porque é que, durante anos, todos sabíamos o segredo de viver “The Best of Both Worlds”.
