Alejandro Jodorowsky regressa ao Porto com “Santa Sangre”

de Fio Condutor

Passos no Escuro apresenta Santa Sangre, de Alejandro Jodorowsky e curta-metragem premiada no MOTELX.

O ciclo Passos no Escuro apresenta Santa Sangre (1989), de Alejandro Jodorowsky, numa sessão programada para o Passos Manuel, dia 22 de Janeiro, às 22h00, no Porto. Antes da longa-metragem, será exibida a curta-metragem O Compositor (2024), de Afonso LucasRodrigo Motty, vencedora do Prémio de Melhor Curta-Metragem Portuguesa no MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror, sublinhando também a presença do cinema de género português contemporâneo na programação do ciclo.

O Compositor (2024), de Afonso Lucas e Rodrigo Motty

Depois de El Topo (1970) e The Holy Mountain (1973), filmes que redefiniram os limites entre o cinema e a provocação, Santa Sangre surge como um momento de maturidade na obra de Jodorowsky. Partindo de um trauma de infância ligado ao universo do circo, o filme acompanha a história de Fénix, um homem preso a uma relação de dependência com a mãe, mutilada e consumida por um fanatismo religioso extremo. O que se segue é um percurso onde fé, culpa, desejo e violência se cruzam de forma inquietante, num filme que utiliza o horror e o melodrama como ferramentas de uma abordagem profundamente pessoal e simbólica.

Realizado por Alejandro Jodorowsky, uma das figuras mais singulares do cinema do século XX, Santa Sangre ocupa um lugar central numa filmografia marcada pela recusa de convenções narrativas e pela exploração de imagens simbólicas. Jodorowsky sempre trabalhou o cinema como uma experiência sensorial e física, pensada para o grande ecrã e a exibição deste filme em sala permite recuperar toda a sua dimensão visual e sonora.

Santa Sangre (1989), de Alejandro Jodorowsky

Reconhecido internacionalmente como um clássico moderno do cinema de culto, Santa Sangre distingue-se pela força das suas imagens e pela liberdade formal de um autor que sempre recusou convenções narrativas e morais. A sua exibição insere-se na já conhecida linha programática do Passos no Escuro, que já nos habituou ao cruzamento de diferentes abordagens ao cinema de género, onde filmes exploitation, clássicos populares e obras mais autorais convivem no mesmo espaço de exibição.

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