Crítica | Scream 7 (2026)

Ghostface está de volta para executar a sua mais recente vingança, mas, desta vez, o melhor é deixar ir para voicemail.

Após o inesperado sucesso comercial de Scream (2022) e Scream 6 (2023), a franquia, revitalizada pelo par dinâmico das irmãs Carpenter (Melissa Barrera e Jenna Ortega), parecia ter encontrado as suas Scream Queens para o futuro, solidificando o lugar da mesma entre os slashers contemporâneos de maior sucesso. Contudo, a produtora Spyglass – adepta de genocídios e, pelos vistos, de relações sadomasoquistas com os seus fãs – despede Barrera antes do início das filmagens devido ao seu apoio à Palestina. Surpreendentemente, a decisão leva a um abandono de peças chave da franquia a nível de elenco, direção e argumento, obrigando a produtora a voltar o olhar para a sua eterna Final Girl, e sustento da casa durante décadas: Sidney Prescott (Neve Campbell).

Desta forma, o retorno às origens aparenta ser o conceito norteador da obra. Com o Kevin Williamson, o guionista da trilogia original, enquanto figura central desta nova narrativa remendada, o filme parece pedir para esquecer os seus últimos dois títulos e relembrar os seus dias áureos em Woodsboro. Curiosamente, Sidney parece não ter recebido o memorando. Determinada em deixar o passado para trás e focar-se na sua família, a protagonista vive uma vida de créditos finais em Pine Grove, uma cidade estranhamente obcecada por filmes de terror e media true crime, que aparenta ser o local mais indicado para Prescott se reformar e esquecer os seus traumas. Quando Tatum (Isabel May), a sua filha mais velha, faz 17 anos, Sidney vê-se obrigada a confrontar fantasmas do passado. Contudo, serão estes vultos reais ou o perigo assenta no presente?

Scream posiciona-se, na sua essência, como uma franquia transformadora dentro do seu género. A desconstrução narrativa, por meio da metalinguagem, revolucionou o panorama Slasher e cimentou o lugar do assassino mais cinéfilo da sétima arte no panteão do Terror. A amplitude dos seus géneros, alicerçada num estilo whodunnit que obriga a audiência a participar ativamente na narrativa e que culmina numa revelação catártica de um monstro que pode ser qualquer um de nós, provou-se uma fórmula vencedora que caminhou ao lado de uma visão ambiciosa e inovadora para a franquia.

Infelizmente para os fãs mais fiéis, a recente reestruturação obrigou a uma abordagem mais conservadora e nostálgica, centrada no que se sabe funcionar, mas que, exatamente por não arriscar, perde a força do seu impacto. Scream não precisa de reinventar a roda novamente, mas será obrigado a melhorá-la constantemente se quer continuar a ter audiência. Existe uma sensação transversal, durante a narrativa, de que os heróis de outrora, como Sidney ou Gale (Courteney Cox) já não estão no seu auge. Este é um tema abordado com frequência ao longo da obra que, parece escudar-se no seu metacomentário, para justificar a fraqueza do seu argumento. Estes encontram-se deslocados no presente e o “sangue novo”, mais dinâmico e que move a narrativa, trata-se de novas adições com as quais ainda não foi possível desenvolver uma ligação emocional, retirando o peso das consequências.

De um ponto de vista formal, a obra continua a alinhar-se aos históricos padrões de qualidade de B movies, com a ressalva de que, tem vindo a substituir gradualmente o seu grit estético característico por um estilo Hallmark tenebroso – nomeadamente a nível de fotografia e atuação – que faz lembrar o almoço de Natal até Ghostface aparecer novamente em tela.

Apesar dos pontos positivos, que advêm de uma fórmula vencedora comprovada, Scream 7 preferiu apostar mais em gestão de crise do que impulsionar a sua franquia para novos patamares. O resultado é que nada surpreende e consequentemente, nada satisfaz. O trabalho será agora redobrado se quisermos ouvir novamente um “what’s your favorite scary movie?” no grande ecrã.

2/5

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