Ready or Not 2: Here I Come pega exatamente onde o primeiro filme terminou. Grace (Samara Weaving) sobreviveu ao jogo mortal da família Le Domas… mas afinal aquilo era só o começo. Agora, entra num novo nível, com um conselho de famílias poderosas e uma disputa pelo controlo absoluto. Ao seu lado surge Faith (Kathryn Newton), a irmã com quem não falava há anos, mas que rapidamente se torna uma peça importante neste novo jogo.
Desta vez, o jogo ganha outra dimensão. Já não se trata apenas de sobreviver a uma família, mas de enfrentar várias, todas com o mesmo objetivo: eliminar Grace antes do amanhecer para conquistar um lugar de poder absoluto dentro deste conselho. Pelo meio, entram rituais, alianças instáveis e regras que parecem mudar consoante a conveniência de quem está no controlo. A sobrevivência deixa de ser apenas física e passa também por perceber como este “jogo” realmente funciona.
O conceito mantém-se: um jogo, uma noite, várias pessoas a tentar matá-la. E é precisamente aqui que o filme acerta… e falha. Por um lado, continua a ser um filme que se vê bem. Tem ritmo, tensão, momentos de violência exagerada e aquele humor negro e sádico que já vinha do primeiro. “O problema? Sogros.”, e aí percebe-se que o tom continua intacto. Por outro lado, é impossível ignorar a sensação de déjà vu. A fórmula é praticamente a mesma, só que maior, mais barulhenta, mas com menos gente a correr atrás dela ao mesmo tempo.
Samara Weaving continua a ser o coração do filme. Funciona, encaixa perfeitamente neste tipo de papel e segura o interesse mesmo quando o enredo não ajuda. Já Kathryn Newton, como irmã, acaba por ficar um pouco aquém, sobretudo tendo em conta o peso que a personagem devia ter. Elijah Wood cumpre bem como o advogado que explica toda a lógica do jogo, enquanto Sarah Michelle Gellar e Shawn Hatosy encaixam sem esforço neste universo de elites ricas, excêntricas e completamente desequilibradas.
O filme tenta subir a parada: mais personagens, mais poder em jogo, mais caos… mas nem sempre resulta. Visualmente, há momentos em que os efeitos deixam a desejar, com sangue pouco convincente e algumas incongruências que tiram impacto a certas cenas. Ainda assim, não falta entretenimento: há reviravoltas interessantes, momentos de tensão eficazes e aquele caos controlado que vai mantendo tudo a andar.
O maior problema é inevitável: o impacto. O primeiro Ready or Not (2019) surpreendia e tinha uma frescura que aqui já não existe. Esta sequela não reinventa. Limita-se a repetir a fórmula com mais volume. Funciona, entretém, mas raramente surpreende.
Ready or Not 2: Here I Come é o tipo de filme que se vê bem, mas que no fim deixa aquela sensação de que já lá estivemos antes. Mais do mesmo… só que com mais sangue (e nem sempre melhor).