Crítica | The Rip (2026)

The Rip chega com dois trunfos difíceis de ignorar: Matt Damon e Ben Affleck novamente juntos, desta vez num thriller policial inspirado num caso real de corrupção na polícia de Miami. Realizado por Joe Carnahan, o filme reúne todos os ingredientes certos à partida: ação, dinheiro sujo e desconfiança dentro da própria polícia. O problema é que, apesar do potencial, raramente consegue ir além do previsível.

A história arranca de forma direta. Uma capitã da polícia de Miami é assassinada, levantando desde logo a suspeita de que o crime pode ter origem dentro da própria polícia. Pouco depois, uma unidade especializada descobre cerca de 20 milhões de dólares escondidos numa casa ligada ao tráfico, após uma denúncia. A partir daí instala-se a dúvida: quem é corrupto, quem está limpo e até que ponto o dinheiro está ligado ao homicídio. O filme aposta mais na desconfiança entre colegas do que na criação de verdadeira tensão, avançando rápido demais para que o desconforto tenha tempo de se instalar.

Matt Damon interpreta o tenente Dane Dumars, enquanto Ben Affleck surge como o sargento J.D. Byrne. Ambos cumprem sem esforço. Estão confortáveis nos papéis, seguros, com a química já conhecida, mas nunca verdadeiramente desafiados. O problema não está nas interpretações, mas num guião que lhes oferece pouco mais do que figuras típicas do género.

O filme avança entre perseguições, confrontos armados e jogos de desconfiança dentro da unidade. A ideia de que “há sempre um snitch em cada departamento” paira constantemente, mas o filme torna-a tão previsível que o mistério praticamente desaparece. Em vez de um thriller psicológico sobre suspeita e corrupção, The Rip segue uma estrutura demasiado linear, carregada de clichês e decisões fáceis.

A maior limitação surge na reta final. O plot twist, que deveria elevar o filme, é fraco e previsível, resolvendo o mistério de forma pouco satisfatória. Quando chega o desfecho, a sensação não é de choque, mas de confirmação daquilo que já se adivinhava há algum tempo.

The Rip não é um desastre. É um filme que entretém, tem ritmo, algumas cenas de ação eficazes e um elenco que segura o conjunto. Mas é também claramente “mais um filme Netflix”: funcional, esquecível e feito para consumo rápido. Promete mais do que entrega e acaba por ser apenas mais um num catálogo já cheio deles. Um filme que se vê sem esforço, mas que funciona como uma chiclete: prova-se, mastiga-se e deita-se fora… sem demora.

2/5

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