What We Do in the Shadows (2014)

de Francisca Tinoco

Antes de Thor: Ragnarok (2017) e Jojo Rabbit (2019), Taika Waititi andava a fazer mockumentaries sobre vampiros com o seu colega de universidade – nem mais nem menos que o igualmente genial Jemaine Cllement.

A sinergia entre Waititi e Clement é evidente em What We Do in the Shadows, uma comédia em formato de falso documentário que acompanha Vladislav (Clement), Viago (Waititi), Deacon (Jonathan Brugh), e Petyr (Ben Fransham), quatro vampiros colegas de casa em Wellington. Os quatro – mas principalmente os primeiros três, dado que Petyr é tão velho que praticamente não sai da cave – discutem a divisão das tarefas domésticas, como limpar o sangue do sofá, nas clássicas desconfortáveis reuniões de apartamento, ou saem à noite para bares e discotecas em busca de uma refeição.

Através de um humor certeiro que reimagina situações típicas do quotidiano de amigos trintões e solteirões pela ótica vampiresca, e do formato do mockumentary que quase sempre resulta bem, What We Do in the Shadows consegue agradar a gregos e troianos (que, neste caso, se traduzem nos puristas do género do terror e fantasia, e nos adeptos de um bom filme de comédia).

Apesar de ser uma paródia evidente sobre o catálogo infindável de conteúdo centrado em vampiros que a febre Twilight trouxe ao cinema e televisão na década de 2000 e 2010, esta comédia surpreendentemente adorável revela, a cada segundo, a admiração e o respeito dos seus criadores pela tradição cultural dos vampiros e demais criaturas sobrenaturais. Há detalhes deliciosos um pouco por todo o filme que mostram que Waititi e Clement conhecem bem toda a mitologia que envolve as diferentes lendas folclóricas desde os famoso sanguessugas aos lobisomens, e passando por representações hilariantes de bruxas e zombies.

What We Do in the Shadows acaba por desconstruir os estereótipos ridículos associados aos vampiros no cinema moderno, utilizando o humor como contraponto ao melodrama, e o cenário humilde da capital Neozelandesa como antítese das mansões góticas comumente associadas a estes seres mitológicos.

Como resultado, surgem 86 minutos divertidíssimos mais próximos de uma coletânea de sketches do que propriamente uma narrativa, mas com linhas de continuidade suficientes para oferecer um núcleo emocional aos mal ajustados Vladislav, Viago e Deacon, através de um visão surpreendentemente empática do que é viver como um vampiro. Se por um lado têm imortalidade e um street cred invejável, por outro só conseguem ver o sol através de vídeos no computador e são obrigados a ver todos os comuns mortais de quem gostam morrer aos poucos. Felizmente, têm-se uns aos outros.

3.5/5
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El Conde (2023) - Fio Condutor 26 de Fevereiro, 2024 - 23:33

[…] sei qual é o fascínio pelo dia-a-dia dos vampiros, mas claramente que isto remeteu a What We Do In The Shadows (2014). Só que enquanto o mockumentary de Taika Waititi e Jemaine Clement descontrói muitos dos […]

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