Thirteen Lives (2022)

de Antony Sousa

Uma equipa de futebol juvenil e o seu treinador ficam presos nas profundezas de um sistema de caves na Tailândia. Cabe a mergulhadores de todo o mundo tentar resgatar treze vidas num cenário com grande probabilidade de insucesso.

Esta é uma história verídica. Algo que sucedeu em 2018, com larga cobertura mediática, ou seja, sendo recente e bastante conhecida, a história oferece a dificuldade de não haver grande margem para alterações, sob o risco de não ser fiel à verdade e isso ser reconhecido pelo público. Foi assim usada, e bem, a fórmula dos filmes seguros de histórias verídicas inspiradoras, cujo final nós já conhecemos, mas ainda assim por alguma razão através da edição e normalmente de uns floreados de suspense acrescentados no argumento, somos tentados a acreditar por momentos que o final é mais trágico do que esperávamos. Filmes como Argo (2012), ou Deepwater Horizon (2016) são outros exemplos disto mesmo.

Ron Howard esteve ao comando deste projecto, um realizador habituado a grandes elencos, grandes produções e enredos intensos, e isso notou-se em Thirteen Lives, com o cuidado ao pormenor na produção, e paciência na forma como nos introduz o problema grave em mãos, e a sua difícil resolução. Apesar do filme ter perto de 2 horas e meia diria que a esmagadora maioria deste tempo é bem utilizado, e provavelmente será a melhor obra de Ron Howard desde Rush (2013).

Viggo Mortensen e Colin Farrell fazem uma parelha no elenco principal que só nos faz desejar que se repita mais vezes! A personagem de Farrell, John, mais sensível e de trato fácil, a de Viggo, Rick, mais fria e dura, mas em última instância não menos humana. A sua autenticidade nestes papéis é tão simples que aliada à forma como está realizado o filme, parece que estamos a assistir a um documentário que nos mostra o que aconteceu in loco. Joel Edgerton, Paul Gleeson, e Tom Bateman vêm acrescentar os ingredientes que faltavam para o acto final. 

O elenco asiático facilita imenso a empatia que sentimos por todos no decorrer do filme, tanto os pais das vítimas, como a própria equipa que aguentou o tormento de espera para ser resgatada, como os mergulhadores locais que mesmo mais inexperientes tinham um sentimento de irmandade e protecção muito grande por quem estava em perigo. É inevitável emocionarmo-nos com certos momentos.

Aquilo que verdadeiramente fica de inspirador neste acontecimento bem retratado em filme, é o impacto incomensurável que podemos ter noutras pessoas se formos úteis em alguma área específica necessária para alguém, em determinado ponto das nossas vidas. Vale a pena fazer todos os possíveis para proporcionar genuína felicidade em alguém. Thirteen Lives faz-nos querer tomar uma atitude e efectivamente ajudar uma pessoa, ou várias. E isso já é razão suficiente para ver este filme.

3.5/5
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José 14 de agosto, 2022 - 15:27

Curral de Moinas, um filme execrável, que entristece em vez de arrancar um unico sorriso ou gargalhada!!!

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