The Sea Beast (2022)

de Antony Sousa

Uma menina corajosa e um caçador de criaturas marinhas gigantes cruzam-se numa jornada de aventura que mudará para sempre as suas vidas.

O início de The Sea Beast introduz-nos as realidades das duas personagens centrais, Maisie (Zaris-Angel Hator) e Jacob (Karl Urban). No caso de Maisie, uma menina que sonha com histórias de monstros marinhos numa casa de acolhimento, e no caso de Jacob um homem bravo e habilidoso na hora de caçar as bestas que aterrorizam os mares. A amizade crescente entre ambos eleva a importância de tudo o resto na história, todos os momentos de acção e de perigo iminente. À medida que o enredo desenvolve, a relação Maisie e criatura marinha Red, é o ponto de ligação para a empatia pela situação de sobrevivência destes seres perante a violência humana. Por sua vez a gradual simpatia que Jacob sente por Red é a ponte para a acção que pode mudar o rumo dos acontecimentos e deixar uma mensagem. Todos estes elos, apesar de previsíveis, são muito bem conseguidos.

Uma criança; um monstro que afinal não é monstruoso; um mini-monstro extremamente fofinho; e um adulto que se vai convertendo aos poucos à convicção aparentemente ingénua da criança. Esta é uma fórmula já vista e é repetida em The Sea Beast. Dito isto, é repetida com sucesso, ou nem por isso? Eu diria que sim. Para aquilo a que se propõe, entreter, focar no que estamos a ver, sentirmo-nos amigos das personagens, e passar uma mensagem de paz e harmonia entre todos os seres do planeta, e de que a guerra nunca é solução, o filme cumpre perfeitamente.

Visualmente é cada vez mais impressionante o que é possível fazer hoje em dia, os detalhes são absolutamente estrondosos! O trabalho envolvido para um resultado final destes é incomensurável. Há uma certa nostalgia pela antiga animação, que tinha os seus argumentos para nos agarrar ao ecrã, mas penso que há espaço para adorarmos os dois estilos. As criaturas estão bem construídas, tanto passam a ideia de que são aterrorizadoras e podem destruir um navio a qualquer momento, como transmitem a energia de animais que se não forem perturbados não fazem mal a ninguém, o que é importante até para não ser demasiado agressivo para as crianças que vejam o filme. Red, e Blue em particular, porque têm mais tempo de antena, foram muito bem imaginados, e funcionam lindamente.

Há momentos que quase parece que estamos a ver Godzilla vs Kong (2021), e outros um dos Piratas das Caraíbas (sem Jack Sparrow), mas na essência está o que se pede e gosta num filme de animação deste género: bondade, mensagem positiva, amizade, empatia, e “fofura”. Não tem uma banda sonora memorável como outros filmes de animação recentes, mas é competente. No fundo, não tem verdadeiramente um ponto fraco, só pontos não tão fortes. Não desilude.

3.5/5
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