The Invitation (2022)

de Antony Sousa

Evie (Nathalie Emmanuel) é uma jovem que já perdeu toda a família que conhecia, e que descobre ter um primo distante através de um website concebido para revelar a árvore genealógica dos visitantes. Quando os dois se encontram, o primo Oliver (Hugh Skinner) convida-a para um casamento que vai juntar toda uma família que ela desconhecia. Um evento que esconde muito mais segredos obscuros do que Evie poderia imaginar.

É aconselhável a todos os que decidirem ver The Invitation que, se ainda for possível, o façam sem assistir ao seu trailer. Isto porque o trailer acaba por denunciar aquele que é o maior twist do filme, e tendo em conta que não há muitos mais argumentos a favor do mesmo, será uma experiência mais agradável se virem o filme com essa surpresa em carteira. Para os profissionais de marketing do The Invitation: de nada!

Começando pelo melhor, o elenco. Há que dar os parabéns ao departamento que trabalhou no casting para definir este elenco, porque além de competentes temos actores que em alguns casos parecem mesmo destinados para os papéis que lhes foram concedidos, nomeadamente Hugh Skinner, Stephanie Corneliussen como Viktoria, Alana Boden como Lucy, e sobretudo Thomas Doherty como Walter, que demonstra charme, uma espécie de sabedoria antiga aparente, e uma mudança radical na sua personagem a certo ponto do enredo, mas bem conseguida. Não esquecer a protagonista, Nathalie Emmanuel, que faz um trabalho sólido, mas é de realçar como os seus colegas que mencionei acima claramente foram escolhidos pelas suas características combinarem com as respectivas personagens, e não por serem ganhos previsíveis de box office, tendo em conta que as suas carreiras estão só agora a começar a um nível mais mediático. Se o elenco é sólido ainda mais mérito merece por ter trabalhado com um argumento mediano. Em especial, os diálogos finais que roçam o pobre e desconfortável de ver, de tão pouco naturais. Nesses momentos, nem o melhor dos actores consegue salvar o que não tem salvação; não há milagres.

Normalmente, neste género de terror, a música tem um papel fundamental mas neste filme não existe impacto do elemento musical nos momentos de maior tensão. Considerando o bom trabalho que tem sido feito nessa área, ultimamente, como em Malignant (2021), ou A Quiet Place Part II (2020), nesta história não acrescenta nada de novo.

Existem alguns jumpscares interessantes para se ver no grande ecrã, e alguns elementos surpresa menos usados no género, mas a trama simplesmente não entusiasma nas suas opções. Nas cenas de carácter mais visual, que não são muitas, o filme defende-se bem. No entanto, os efeitos especiais num dos momentos mais cruciais, a caminho do fim, são especialmente maus. Uma decisão estranha, pois não é uma cena tecnicamente exigente.

A realização de Jessica M. Thompson atingiu o seu objectivo de enaltecer o empoderamento feminino, ainda assim, tecnicamente, ficou-se pelo seguro e previsível. The Invitation é um filme de terror moderado, que procura juntar um lado clássico do terror com um lado mais moderno, e como resultado temos um filme que nem assusta consistentemente, nem faz pensar. Não entretém por aí além, mas tem performances interessantes e actores que valem a pena acompanhar num futuro próximo.

2.5/5
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