Rustin (2023)

de Janai Reis

Bom para conhecer um pouco de Bayard Rustin… nada mais.

Rustin é um filme que destaca a vida e o legado do pacifista Bayard Rustin – um ativista americano dos direitos civis notoriamente conhecido pela sua influência e trabalho ao lado de Martin Luther King Jr. – sendo o foco narrativo na organização da Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade em 1963, onde King proferiu o seu icónico discurso “Eu Tenho um Sonho”. Rustin, uma figura central no movimento pelos direitos civis, era abertamente homossexual numa época em que isso representava um risco significativo, enfrentando discriminação tanto pela sua raça quanto pela sua orientação sexual. O filme procura iluminar a sua contribuição crucial, muitas vezes subestimada, para o movimento dos direitos civis e a sua defesa incansável pela justiça social e igualdade.

A importância deste filme reside na sua capacidade de trazer à luz a contribuição significativa, porém frequentemente subestimada, de Rustin para o movimento dos direitos civis. Ao destacar uma figura que não recebeu tanto reconhecimento quanto Martin Luther King Jr., mas que foi igualmente crucial na luta pelos direitos civis, Rustin preenche uma lacuna importante na narrativa histórica, educando o espectador, ainda que de forma ligeira, sobre os múltiplos heróis do movimento que permaneceram relativamente desconhecidos. Esta abordagem enriquece a compreensão coletiva da luta pelos direitos civis, reconhecendo a diversidade e a complexidade das contribuições individuais. Contudo, não são desenvolvidos grandes obstáculos especificamente para a personagem no que toca ao racismo nem às suas relações homoafetivas – algo que não atinge as expectativas de um filme biográfico de uma pessoa que tem esses temas tão presentes.

O realizador George C. Wolfe, já contava com um filme biográfico extraído de uma peça de teatro antes de trazer Rustin às telas. Esse filme anterior, Ma Rainey’s Black Bottom (2020), adaptado da peça homónima de August Wilson, também mergulha profundamente na cultura afro-americana, onde explora a vida e os desafios dos artistas negros na década de 1920. Além da nomeação para o Óscar de Melhor Actor por Chadwick Boseman, conquistou prémios da Academia em duas categorias: Melhor Guarda-Roupa e Melhor Caracterização e Cabelos. Desta vez, em Rustin, fica apenas a nomeação de Colman Domingo. Esta captura com autenticidade a força, a inteligência e a vulnerabilidade de Rustin e, generosamente, abre uma porta para as suas lutas e paixões. No coração de Rustin, a performance de Colman Domingo como Bayard Rustin emerge como o núcleo duro, não apenas dando vida a Rustin de forma empática e verosímil, mas também carregando o filme às costas, destacando-se assim como a peça essencial de todo o filme. É Domingo que se esforça para nos prender à tela mas, infelizmente, não podemos dizer o mesmo para o resto do filme.

O filme nada tem de estético que valorize a narrativa, fica muito aquém da sua potencialidade. Pouco se usa do dispositivo para o poder destacar, pois a pouca coisa que possa distinguir esta narrativa cinematográfica para um romance literário – no caso, o filme usa-se de o cinema permitir flashbacks. Resumindo, o filme tem a força de introduzir esta nova personagem histórica, Rustin, na memória coletiva, de forma mais fácil e rápida (em 1h48min) mas perde em tudo que pertença ao dispositivo da sétima arte.

2/5
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