Luca (2021)

de Antony Sousa

Uma boa história de amizade confesso que conquista o meu coração, e por norma filmes de animação, apesar de ainda terem a reputação de “filmes para crianças”, são provavelmente os que mais regularmente apresentam histórias comoventes e inspiradoras sobre o que é termos um amigo que se torna família. Luca tem isso, e muito mais.

Na cidade de Portorosso, vive uma espécie de peixe nas profundezas do mar que quando se vê na superfície se torna humano. Luca (V.O. Jacob Tremblay), uma dessas criaturas das profundezas, acaba por conhecer Alberto (V.O Jack Dylan Grazer) nessas circunstâncias, e juntos começam uma aventura entre os humanos que vai colocar à prova a sua amizade.

A Pixar já nos habituou a pequenas maravilhas, e todos os anos estamos a contar com pelo menos duas obras que nos deixem a sonhar e a repetir frases ou músicas dos seus filmes depois de os vermos, este Luca é um deles. A banda sonora sempre a pautar o ambiente de costa italiana, a massa, e a homenagem à vespa, são exemplos de como situar um filme no contexto familiar que se quer, para que independentemente de ser a nossa realidade mais próxima ou não, sentimos como se fosse a nossa casa, porque são genuínos. 

A alma do filme reside no elo entre Luca e Alberto, e posteriormente na sua conexão com Giulia (V.O. Emma Berman) e seu pai (V.O. Marco Barricelli), numa fábula criativa sobre o valor da amizade, a integração da diferença, a superação dos medos e a liberdade para os filhos voarem sem a constante protecção dos pais. Uma hora e meia chegam para condensar tudo isto num nomeado ao Oscar de Melhor Filme de Animação. É um candidato, já que é difícil não simpatizar com Luca, mesmo que não integre o top 5 de melhores da Pixar.

Vale muito a pena passar por cima da ideia de animação ser para crianças e espreitar todos os filmes do género que saíram este ano. Este em particular vai seguramente proporcionar sorrisos e uma eventual “lagrimita” em alguns momentos. É moderado nas suas emoções, não transborda como uma morte de um Mufasa ou um o final de um Up (2009), nem tem a genialidade de Inside Out (2015) ou Soul (2020), mas tem todos os ingredientes em doses muito agradáveis e sobretudo equilibradas. Se ainda não estiverem inclinados a ver: silenzio Bruno! Querem saber o que significa? Vejam Luca.

4/5
0 comentário
1

Related News

Deixa Um Comentário